Resfriados podem nos proteger da Covid-19

Atualizado em 31/8/2020

A pandemia tem trazido estudos aprofundados sobre como o corpo humano responde à contaminação pelo novo coronavírus, mas também vem trazendo estudos sobre a imunidade humana e como o corpo se comporta. Milhões de pessoas já foram infectadas e o número cresce, gerando graves consequências ao longo do tempo, especialmente para as famílias que perdem entes queridos.

O espectro de apresentação da Covid-19 vai de casos assintomáticos até muito graves, mas ainda não sabemos quais os fatores que desencadeiam os estados mais críticos da doença e também desconhecemos porque alguns indivíduos permanecem  assintomáticos. Estudos que têm mostrado como as células T respondem à infecção por Sars-CoV-2, mais especificamente como um subgrupo destas células se ativa em pacientes com Covid-19, buscam responder estas perguntas.

Experimentos rodados em países como Alemanha, Singapura, Reino Unido, Países Baixos e Estados Unidos, mostram que 20 a 50% das pessoas que não tiveram exposição ao Sars-CoV-2 apresentam reação direta de células T contra o coronavírus. A ideia é de que esta reação de indivíduos de diferentes localidades geográficas é devida a memórias de respostas contra resfriados causados por coronavírus já existentes, que compartilham parcialmente uma sequência similar.

Outro estudo publicado na Revista Science avaliou a possível proteção do sistema imune de algumas pessoas via epítopos do novo coronavírus. Epítopos são uma parte do antígeno – neste caso o Sars-CoV-2 – reconhecida pelos nossos anticorpos, mais especificamente por células B e T. As células T exercem papel fundamental na resposta imune do corpo. Os pesquisadores Daniela Weiskopf e Alessandro Sette do La Jolla Instituto para Imunologia na Califórnia, EUA, analisaram tais células T e encontraram sequências particulares de proteínas do Sars-CoV-2. Depois, o time identificou sequências similares em coronavírus de resfriados e verificaram que tais sequências poderiam ativar algumas células T que também respondiam ao Sars-CoV-2.

Todos estes achados colocam mais uma peça no quebra-cabeças que cientistas do mundo todo vêm  montando, e dão peso à hipótese de que a imunidade existente advinda de outros coronavírus podem contribuir com diferenças na severidade da Covid-19. De qualquer modo, para termos mais confiança ainda é preciso que mais estudos sejam realizados para verificar esta reação cruzada de imunidade em humanos para os diferentes coronavírus.
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Escrito por Luiza Mugnol Ugarte
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Fonte: Instituto Dor