Reabertura das academias: quais cuidados devemos ter?

Atualizado em 4/9/2020

No dia 11 de julho, a Prefeitura de São Paulo decretou a reabertura das academias e estúdios esportivos. A medida caminha no sentido da flexibilização do estado de quarentena na cidade, mas também impôs rigorosas diretrizes de higiene para que o coronavírus não se propague ainda mais.

Entre as regras que os estabelecimentos têm que seguir, entram o funcionamento com apenas 30% da capacidade original e por apenas 6 horas por dia; a suspensão de aulas coletivas; a necessidade de agendamento prévio para o uso dos aparelhos; chuveiros interditados; uso obrigatório das máscaras de proteção e limpeza geral e mais caprichada dos equipamentos pelo menos três vezes ao dia (além da higienização dos equipamentos a cada uso).

O município paulista não é o único no Brasil: outras localidades afrouxaram as medidas de segurança e também permitem que as academias funcionem. Mas será que somente essas normas já são suficientes para evitar o contágio? O que os estabelecimentos e quem está pensando em voltar podem fazer para reforçar ainda mais a segurança?
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Reabertura das academias: Exemplos reais

Keko Rodrigues, diretor técnico da rede TecFit, em São Paulo, conta que agora eles tiveram que redobrar os cuidados com a higiene. Apesar de as academias da rede já contarem com banheiros privativos e purificadores de ar, agora eles medem a temperatura corporal dos alunos e não permitem que eles treinem com os mesmos tênis que vieram da rua. “A sola do calçado é uma das formas de transportar e disseminar o vírus. Ou a pessoa troca o sapato, ou ela treina descalça”, explica.

Por oferecer treinos de eletroestimulação, o uso de coletes da TecFit (que não são individuais, mas sim compartilhados) é imprescindível durante as aulas. Agora esses equipamentos são higienizados com mais cautela do que já eram antes — lavados com álcool 70% e um coquetel de produtos bactericidas e fungicidas. O distanciamento social é outra preocupação. “A recomendação é que cada professor atenda apenas um aluno por vez. Caso o espaço de treino tenha três máquinas, ele poderá receber três alunos desde que sejam respeitadas as normas seguras de distanciamento entre eles (1,5 a 4 metros).”

A Les Cinq Gym, academia localizada no bairro Jardins, decidiu contar com a ajuda da tecnologia. Lá, há um tapete químico logo na entrada banhado em quartenário de amônio, produto químico que combate bactérias e neutraliza a ação de vírus. Os usuários do estabelecimento também são submetidos a um reconhecimento facial eletrônico que já mede a temperatura corporal. E entre os aparelhos de treino cardiorrespiratório foram instaladas divisórias de acrílico, assim como lâmpadas germicidas em todo o local. Uma vez por semana, a academia fecha por três horas e é submetida a uma limpeza mais pesada com quartenário de amônio e peróxido de hidrogênio por uma empresa especializada.
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E o que podemos fazer? 

E se as academias e estúdios estão fazendo a parte deles, a gente também precisa fazer a nossa. “O combate à pandemia precisa do apoio conjunto das empresas, do governo e dos cidadãos. Os usuários têm que estar conscientes de suas responsabilidades também, afinal, não vamos superar a crise sozinhos”, diz a infectologista Ingrid Cotta, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que também nos lembra que apesar da flexibilização, a maioria das cidades ainda se encontram na fase amarela.

A especialista explica que as duas formas de transmissão do coronavírus são pelo ar e contato. “Por isso que recomendamos deixar os ambientes muito bem ventilados, com janelas e portas abertas”. Sempre que você tocar qualquer área que pode estar contaminada (seja a catraca da entrada, pesinhos ou máquinas), deve limpar as mãos com álcool gel ou água e sabão. “Vale dar uma borrifada de álcool 70% ou água sanitária diluída na sola dos sapatos antes de entrar também.”

Antes e depois de usar algum equipamento, higienize as superfícies que encostou. Não esqueça a própria garrafinha de água (afinal os bebedouros ficarão desligados) e pelo menos uma máscara reserva. “Deve haver a troca do objeto toda vez que ele ficar úmido. Quando a máscara fica molhada, ela deixa de ser útil, gruda no rosto, dificulta a respiração e provoca desconfortos, o que aumenta as chances de você tocar nela”, diz a especialista. Leve um saco plástico para guardar as usadas, lave as mãos antes e depois de trocar e pegue sempre nas alças da máscara para retirar e colocar, nunca no centro.
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Reabertura das academias: Máscara e treino

Como se não bastassem todos os cuidados que devemos ter, muita gente anda reclamando do desconforto que treinar de máscara gera. Algumas esquentam, coçam, ficam completamente encharcadas de suor e dão a sensação de sufocamento. “A máscara representa uma barreira física. Ela filtra o ar e dificulta a sua passagem, por isso muita gente sente incômodo o em se exercitar com ela”, afirma a cardiologista e médica do esporte Renata Castro.

Apesar de ser bem chato ter que malhar com ela, tanto a especialista quanto testes científicos garantem que o acessório não faz mal. Em uma pesquisa com 12 voluntários, por exemplo, o cardiologista Fabrício Braga, diretor médico Laboratório de Performance Humana (LPH) da Casa de Saúde São José, percebeu que o principal problema que o uso da máscara causa é realmente o desconforto. “Quanto mais intenso é o exercício, maior é a necessidade de ar circulando nos pulmões. Como há a barreira física do objeto, realmente temos que fazer mais força”, explica Renata Castro.

O que realmente importa, de acordo com a médica, é o percentual de oxigênio que recebemos ao puxar o ar (cerca de 21%). Já foi comprovado que a máscara não altera essa composição, e nem acumula gás carbônico (produto exalado na expiração).

O segredo para amenizar o desconforto, então, é começar aos poucos até se acostumar. “Diminua a intensidade do exercício pelo menos no início, principalmente se você esteve parado na quarentena. Com 3 meses de atividade diminuída, perdemos nossa capacidade cardiorrespiratória. Isso, somado à máscara, pode gerar desmotivação e frustração”, diz a especialista. Recomenda-se também prestar atenção na respiração: prefira as longas e mais pausadas do que as curtas e com maior frequência.
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Fonte: Boa Forma