Pode ter convidados? E viajar ou trocar presentes? Veja dicas para preparar festas de Natal e Ano-Novo mais seguras

Atualizado em 11/11/2020

A dois meses das festas de final de ano, famílias já começam a pensar em como serão o Natal e o Ano-Novo deste 2020 da pandemia. Não se pode prever como estará o cenário em dezembro, mas especialistas afirmam que os cuidados adquiridos e praticados durante este longo período de restrições e distanciamento social devem ser mantidos. Longas celebrações que envolvam grande número de parentes e amigos, portanto, são desaconselhadas. Idosos e demais integrantes de grupos de risco continuarão necessitando de atenção especial.

Infectologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Claudio Stadnik alerta que a pandemia não terá acabado até lá e que não há nada como garantir 100% de segurança. O médico é contundente nas orientações:

— A questão principal é o contato com outras pessoas, principalmente em momento de alimentação: vai haver risco. Temos que nos convencer de que as festas serão adaptadas, mas claro que não proibidas. Tem que ter bom senso: reuniões com 50 pessoas no sítio da família terão que ser evitadas. Quanto mais pessoas se juntarem, principalmente vindas de lugares diferentes, maior vai ser o risco de acontecer uma tragédia na família. Para não transformar o seu fim de ano em um momento de dor, a recomendação é que haja um grande esforço para evitar o contato.

Além das medidas de prevenção da infecção pelo coronavírus, é preciso considerar outro fator importantíssimo: a saúde mental. Pessoas que vêm enfrentando muito tempo de isolamento já podem estar sentindo sinais de humor depressivo e ansiedade. O suicídio é uma ameaça real.

Apesar de ser uma época de comemorações, surge ou se intensifica, com a aproximação de dezembro, um sentimento de tristeza para parcela significativa da população. Avaliam-se o ano que passou, as conquistas, as frustrações, as relações afetivas. E 2020 bagunçou os planos de forma geral – com perdas de pesos variáveis, muitas delas irreversíveis.

Mara Lins, doutora em Psicologia Clínica e diretora do Centro de Estudos da Família e do Indivíduo (Cefi), na Capital, destaca que ainda será preciso aprender a conviver com o vírus.

— Neste ano, o sentimento de tristeza pode bater mais — comenta a psicóloga.

Para não desperdiçar o significado de reunião e conexão desses festejos, Mara sugere que, nas situações em que não houver possibilidade de flexibilização, continue-se a utilizar a criatividade.

— Tem que pensar em como demonstrar o amor. Criar. Se for o caso, passar na frente da casa de alguém, organizar uma festinha de longe, entregar uma cesta bonita, fazer um bolo. Precisamos interagir, conversar. Precisamos um do outro. São componentes importantes para a saúde mental — avalia.

A seguir, confira dicas dos infectologistas Claudio Stadnik e Marcelo Carneiro, professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), ambos membros da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia.
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Tamanho, local e duração das festas

  • O mais cauteloso é organizar comemorações com duração e número de pessoas reduzidos em relação a anos anteriores. Procure restringir a lista de convidados ao núcleo familiar mais próximo ou que conviveu durante os últimos meses. O infectologista Claudio Stadnik apela para o bom senso de todos: um ano de tantas limitações e cuidados não pode ser desperdiçado na “saideira”.
  • Escolha ambientes ao ar livre ou com boa circulação de ar.
  • Mais vulneráveis à doença, os idosos não precisam ser privados desses encontros, mas devem ser mantidos em segurança, com máscara e afastados dos demais. Quem estiver em isolamento desde o início da pandemia precisa tomar mais cuidado do que aqueles que já restabeleceram a circulação por determinados lugares.
  • O mais indicado é que pessoas acima de 60 anos não estejam presentes do início ao fim da celebração, priorizando o momento da refeição. Pode ser uma proteção exagerada, pondera o infectologista Marcelo Carneiro, mas, se alguém acabar adoecendo, não haverá como voltar atrás depois.
  • Reflita sobre a distribuição mais adequada dos participantes. Idosos ao redor da mesa e demais participantes em outros pontos pode ser uma saída. Observe sempre a distância segura entre todos.
  • Crianças que já tiverem retornado às aulas presenciais representarão um risco maior de transmissibilidade do coronavírus.
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Comportamento dos convidados

  • Deve-se manter o distanciamento de um metro e meio a dois metros.
  • A máscara só deve ser retirada na hora de comer e beber. Nesses momentos, se o acessório ainda estiver em condições de seguir em uso depois, acondicione-o em uma embalagem limpa. Leve outras unidades para trocar (após duas horas de uso ou quando ficar úmida).
  • Evitar o toque continua sendo fundamental. Beijos, abraços e apertos de mão ainda são saudações não recomendadas.
  • Por mais que avós e netos estejam com muita saudade do convívio próximo, não é o momento de afrouxar as restrições. Não tocar é uma demonstração de afeto e cuidado. Claro que há exceções: idosos que cuidaram dos netos ao longo do ano, por exemplo, já estão habituados ao toque.
  • Beber demais significa aumentar o risco de se expor a comportamentos de risco – a certo ponto da festa, alguns podem acabar retirando a máscara e desrespeitando as demais orientações de segurança.
  • Falar alto, gritar, cantar: quanto mais exercício vocal for feito, maior é a capacidade de disseminar gotículas com vírus no ambiente.
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Troca de presentes

  • Não representa risco, segundo os especialistas consultados.
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Celebrações entre amigos e colegas de trabalho

  • Valem as mesmas regras das festas familiares: não promova aglomerações ou encontros que durem horas e horas.
  • O infectologista Marcelo Carneiro pontua uma diferença fundamental: uma coisa é promover festinhas entre as pessoas que estão habituadas a trabalhar juntas – e que já são as contactantes umas das outras –, e outra, bem diferente, é reunir os amigos que não se veem desde março. Para quem está longe há meses, vale renovar o esforço em prol da saúde e aguentar a saudade por mais tempo.
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Viagens

  • Companhias aéreas e de ônibus estão tomando cuidado para oferecer viagens seguras. É preciso lembrar, no entanto, que a circulação de pessoas entre cidades e Estados que estão em estágios diferentes da pandemia podem se contaminar ou carregar o vírus junto para seus destinos. De acordo com Stadnik, existe o temor, entre especialistas, de que a segunda onda da covid-19 estará associada às festas de final de ano.
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Sintomáticos

  • Não menospreze sintomas como tosse, dor de garganta e dor de cabeça: você pode estar com covid-19 e não deve comparecer a qualquer evento, mantendo-se em isolamento e, se necessário, buscando atendimento médico. A orientação vale também para os seus contatos diretos.
  • Importante ressaltar que a febre não aparece em todos os casos da doença.
  • Indisposição e mal-estar geral também podem ser indícios da infecção por sars-cov-2.
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Fonte: GauchaZH