Infectologista do Sabará Hospital Infantil fala mitos e verdades do Covid-19 em crianças

Atualizado em 8/12/2020

Com a flexibilização na quarentena no Estado de São Paulo, todos os hospitais alertaram para o aumento do número de pessoas contaminadas pelo Coronavírus. O Sabará Hospital Infantil, especializado no atendimento pediátrico, também identificou um aumento no número de criançascom sintomas da Covid-19.

“Em relação aos testes para SARS-CoV-2, entre os exames coletados durante outubro, tivemos 53 amostras positivas, enquanto em novembro foram 101, o que representa um aumento de 90%”, explicou o gerente médico e infectologista Dr. Francisco Ivanildo Oliveira. No entanto, não é motivo de alarde geral, mas sim de reforçar a necessidade de adoção das medidas de prevenção desta doença entre crianças e adultos.

Como a pandemia já se prolonga por meses, uma das estratégias criada para viabilizar o convívio social é a formação de bolhas sociais. Essa abordagem é uma maneira de minimizar o risco de transmissão da doença, pois, se ocorrer uma infecção, ela permanece na bolha e não será transmitida a outras pessoas. Desta forma, é importante evitar contatos desnecessários neste momento, como participação em festas e eventos nos quais tomem parte pessoas que não fazem parte da sua bolha social.

“A bolha social é ampliada a partir do momento em que tiramos as crianças de casa ou se os pais participam de atividades sociais. Por isso, o retorno às aulas deve ser encarado com toda atenção. Além disso, é importante salientar que a vida na escola não traz apenas benefícios de aprendizados, mas também psicológicos e de socialização. Dessa maneira, seguir todos os protocolos de saúde para evitar contaminação tanto entre as crianças como nos profissionais da educação é fundamental”, afirma dr. Francisco.

O Sabará Hospital Infantil desenvolveu, em parceria com algumas escolas, um protocolo de cuidados para a retomada das aulas, fornecendo suporte e orientação aos pais, alunos e cuidadores durante a pandemia- o Sabará nas Escolas.

“Como não somos educadores de crianças e adolescentes, temos capacidade limitada para avaliar todas os aspectos operacionais e logísticos das atividades executadas em uma sala de aula ou escola. Entretanto, esse será um trabalho em conjunto, desenvolvido a partir das diretrizes nacionais e internacionais com especialistas, educadores e os pais para minimizar os riscos de contaminação”, explica Dr. Francisco.

Para manter todas as diretrizes exigidas durante a pandemia, o Sabará definiu protocolos de segurança em todas as áreas de atendimento à criança para que haja o máximo de segurança para os pacientes, visitantes e Cuidadores. Entre eles estão o fluxo diferenciado de atendimento e admissão dos pacientes no Pronto-Socorro, separando-os por respiratório e não respiratório, o procedimento seguro para cirurgias eletivas, elevadores exclusivos para uso de pacientes cirúrgicos, a limitação de visitantes e acompanhantes da criança nas áreas de internação, o seguimento do cuidado por Telemedicina, entre outras iniciativas.
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Mitos e verdades sobre a Covid-19 em crianças

A partir das últimas pesquisas apresentadas por instituições de saúde e a experiência do Sabará Hospital Infantil no tratamento de Covid-19 em crianças, o Dr. Francisco Ivanildo Oliveira esclareceu alguns mitos e verdades sobre a doença em crianças.
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Bebês podem ser contaminados com o vírus.

Verdade.  O Sars-Cov-2 pode contaminar qualquer pessoa, de qualquer idade, inclusive bebês, no entanto, sua incidência é menor. Os casos confirmados em crianças até 9 anos, representam apenas 2,5% do total de casos notificados no estado de São Paulo.
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Crianças podem ter os mesmos sintomas que os adultos infectados pelo Coronavírus.

Verdade. Os sintomas mais comuns em todas as idades são tosse, febre, dor no corpo, dor de garganta e coriza.  Nem todos os adultos sentem exatamente os mesmos sintomas e com crianças não é diferente. Nas crianças também podem aparecer irritabilidade, dificuldade de dormir, cansaço, perda do apetite e  obstrução nasal. Caso a criança sinta um desses sintomas, procure um especialista.
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É perigoso colocar máscaras em crianças.

Mito. Desde que seja seguida a orientação de uso de máscara para cada idade, não é perigoso o uso de máscara em crianças. Vale lembrar que para bebês e crianças menores de dois anos não se recomenda o uso da máscara. O mesmo vale para crianças com necessidades especiais, que fiquem muito angustiadas com o uso da máscara ou quando o seu uso representa risco. Acima dessa idade, sim, elas devem usar máscaras como forma de proteção.
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Um hospital exclusivamente pediátrico é mais seguro para as crianças que hospitais gerais.

Verdade. Como a incidência de Covid-19 em crianças é muito inferior à incidência em adultos, ter um local que atenda somente crianças tem menos risco que outras Instituições nas quais crianças circulam entre adultos doentes.
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A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) que acomete algumas crianças infectadas pelo SARS CoV-2 pode ser considerada grave.

Verdade. Crianças e adolescentes que estejam na faixa etária entre zero e 19 anos podem apresentar rápida progressão para formas graves da doença. É uma condição relativamente infrequente e ainda não sabemos quais são os fatores de risco associados à evolução para esta forma de doença.
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As crianças têm baixa capacidade em transmitir o vírus.

Mito. Não é a idade que modifica a forma de transmissão, mas a carga viral em si. Por isso, é importante manter os cuidados com a higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel, o distanciamento social e uso de máscara.
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Por uma questão de segurança, as crianças devem parar de tomar vacina durante a pandemia.

Mito. É importante que os pais mantenham a carteira de vacinação das crianças e adolescentes atualizada. A chave para diminuir a propagação do Covid-19 é o distanciamento social, limitando ao máximo o contato com outras pessoas. Se forem brincar em espaços públicos, as crianças devem manter distanciamento de cerca de dois metros umas das outras e evitar contato físico como apertos de mãos, abraços e beijos.
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Fonte: Abc do Abc