Festas de fim de ano podem aumentar casos de Covid-19

Atualizado em 15/12/2020

Em meio a alta de casos, especialistas ouvidos pelo Saúde com Ciência pedem para que comemorações não sejam realizadas

Com a taxa de transmissão do coronavírus subindo, estados voltando atrás na flexibilização de serviços e óbitos pela covid-19 chegando a 180 mil, especialistas avaliam que o Brasil entrou na segunda onda de contaminação da covid-19. O momento de preocupação se agrava com a proximidade das festas de fim de ano, época em que, tradicionalmente, há um aumento nas comemorações entre familiares e amigos, fluxo maior de viagens e maior movimento nos comércios.

Para diminuir as chances de contaminação, o melhor é deixar as datas passarem em branco ou serem realizadas de forma remota ou apenas entre os moradores de uma mesma casa, desde que nenhum manifeste sintomas gripais. Isso porque o ambiente das festas é o mais propício para a propagação da covid-19.

“Quando eu vou para a casa de alguém em uma comemoração de natal ou de ano novo, existe implicitamente o consumo de bebidas ou de comidas. Como que eu vou comer e beber de máscara? É impossível. Eu vou comer e beber sem máscara e conversando, o que aumenta o risco” – destaca o professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Geraldo da Cunha Cury.

Geraldo Cury avalia, ainda, que a inexistência de sintomas não garante que a pessoa não está infectada, uma vez que existem pacientes assintomáticos (que não manifestam os sintomas da infecção) ou pré-sintomáticos (que estão infectados, mas ainda não manifestaram os sintomas. “A pessoa poderia falar que não tem sintomas, que acabou de medir a temperatura. Mas isso não significa nada, a gente já sabe isso hoje. Até mesmo a realização dos testes também diz pouco”, refere-se alertando à possibilidade de resultados falsos negativos que podem acontecer tantos nos testes sorológicos, que identificam a presença de anticorpos, quanto moleculares, que identificam a presença do vírus. Para saber mais sobre esse assunto, clique aqui.

O médico infectologista do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Enio Pietra Pedroso, lembra que a transmissão do coronavírus ocorre, predominantemente, pelo ar e, de forma menos intensa, por contato. “A proteção, portanto, requer os cuidados que são aplicados às doenças de transmissão aérea – como isolamento social e uso de máscaras – e de contato – como lavagem das mãos com água e sabão ou álcool –. Por isso, as reuniões devem ser evitadas e, se imprescindíveis, realizada de forma remota”, recomenda.

“É uma coisa triste falar isso num momento de alegria especial, como é o fim do ano. Mas é assim que a gente vai evitar que a doença tenha uma transmissão”.
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Diminuindo os riscos

Se, mesmo sabendo dos riscos, você ainda fizer questão de realizar a comemoração presencial, alguns cuidados devem ser tomados para minimizar a possibilidade de contaminação pelo coronavírus. Mas é preciso destacar que, mesmo sendo seguidos à risca, eles não eliminam a probabilidade de infecção. Quem dá as dicas é o médico infectologista e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estêvão Urbano:
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Mas o médico alerta que é difícil seguir a lista esses regramentos, especialmente numa festa em que “as pessoas já carentes e cansadas encontram os amigos, tomam uma taça de vinho ou dois copos de cerveja. Daqui a pouco já não há mais máscara, já não há mais distanciamento. E o que mais nós temos visto são casos de internação e até mortes por causa dessas reuniões”, ressalta.

“Num mundo ideal, em que as pessoas tivessem resiliência e entendessem que esse ano é atípico, não deveria haver festas. Tem um horizonte chegando, que é a vacina, e vale a pena o esforço para não perder aos 45 minutos do segundo tempo. E nós teremos tantos outros natais, tantos outros réveillons. Algumas pessoas, infelizmente, não terão novos natais e novos réveillons porque essas são situações de altíssimo risco”.
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Fonte: Facildade de Medicina da UFMG