Covid-19: regra de 2 metros de distância está desatualizada, diz Oxford

Atualizado em 27/5/2020

A recomendação para manter a distância mínima de 1 a 2 metros de outras pessoas para reduzir o risco de transmissão do novo coronavírus é ultrapassada. É o que diz uma análise publicada recentemente no periódico científico The BMJ. De acordo com pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, diversos fatores precisam ser considerados na hora de decidir qual distanciamento físico deverá ser implementado.

A regra que estipula uma distância física específica, geralmente de 1 ou 2 metros, entre os indivíduos é baseada em experiências com vírus anteriores e evidências desatualizadas, argumentam os cientistas. Na realidade, a transmissão é mais complexa.

Estudos recentes sugerem que pequenas gotículas podem viajar mais de 2 metros quando uma pessoa grita ou tosse e se espalhar por até 8 metros. Diante disso, as regras de distanciamento durante a pandemia de Covid-19 precisam considerar diversos fatores que afetam o risco de transmissão, incluindo o tipo de atividade realizada, de ambiente (internos ou externo), o nível de ventilação e o uso de máscara.

A carga viral do emissor, a duração da exposição e a suscetibilidade de um indivíduo à infecção também são importantes. “Isso proporcionaria maior proteção em ambientes de maior risco, mas também maior liberdade em ambientes de menor risco, potencialmente permitindo um retorno à normalidade em alguns aspectos da vida social e econômica”, escrevem os autores.

Por exemplo, em locais de alto risco, como bares lotados, o distanciamento físico maior do que 2 metros e redução do tempo de permanência devem ser adotados. Por outro lado, deve haver certa flexibilidade em locais de baixo risco, segundo os pesquisadores.

Eles alertam que mais trabalhos são necessários para desenvolver indicações específicas, de acordo com o tipo de ambiente e o nível de ocupação. Mas, até lá, o distanciamento físico “deve ser usado em combinação com outras estratégias para reduzir o risco de transmissão, incluindo higienização das mãos, limpeza regular da superfície, equipamento de proteção e máscaras quando apropriado, estratégias de higiene do ar e isolamento dos indivíduos afetados”, escreveram.
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Eficácia dos métodos preventivos
Outro estudo, publicada no início de junho na revista científica The Lancet, mostrou que a transmissão de vírus foi menor com a adoção de um distanciamento físico de no mínimo 1 metro. A medida que o distanciamento aumentava, o risco diminuía.

O uso de máscaras e de proteção para os olhos também desempenha um papel relevante na redução da disseminação do vírus. De acordo com o estudo, as máscaras diminuem o risco de contaminação de 17% para apenas 3%, e a proteção para os olhos reduz de 16% para 6%.
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Fonte: Veja Saúde