Europa recorre à máscara hospitalar para combater a Covid

Atualizado em 22/1/2021

Devido ao avanço de novas variantes mais contagiosas do coronavírus, a Europa passou a exigir o uso de máscaras de proteção hospitalar. A Áustria, por exemplo, decidiu impor o tipo de máscara FFP2 (nomenclatura europeia) ou N95 (nome equivalente no continente americano) nos comércios e transportes. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel anunciou novas restrições que incluem a obrigação de usar máscaras hospitalares nos transportes públicos e em lojas.

Alberto Chebabo, professor da UFRJ e médico infectologista do laboratório Bronstein, explica que as máscaras FFP2 e N95 são mais seguras que as demais porque têm uma capacidade filtrante maior: “Certamente são mais seguras contra as novas e as antigas variantes, mas não recomendadas, por enquanto, para utilização fora de ambiente hospitalar”, esclarece.

Segundo a geriatra e psiquiatra Roberta França, esses padrões de máscaras têm uma capacidade de filtração em torno de 94% e 95%. No entanto, conforme a médica, a orientação para o uso vale para locais onde cepas mais agressivas foram detectadas e para ambientes hospitalares. Ela explica que, se um paciente for fazer uma consulta, por exemplo, estará realmente mais seguro ao usar esses tipos de máscaras.

Em entrevista à AFP, o diretor do Instituto de Pesquisa Aplicada em Saúde de Birmingham (Inglaterra), KK Cheng, disse que “torná-las obrigatórias pode causar muitos problemas”. Por exemplo, por serem quase herméticas, exigem um esforço maior para respirar, sem contar que são mais caras.

França lembra ainda que as máscaras podem ser usadas apenas durante quatro horas. “Depois disso, o ideal é descartar as que forem descartáveis ou colocar para lavar as máscaras de tecido. Mas você não deve usar por mais de quatro horas, porque o próprio suor e a respiração vão umidificar o tecido, o que pode diminuir a capacidade de filtro”, pondera, acrescentando que máscaras de tecidos finos, tricot e crochê não são eficazes na proteção contra a covid-19.
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Cirúrgicas

O uso dessas máscaras de polipropileno, originalmente reservadas às equipes de saúde, se generalizaram com a covid-19. Seu objetivo principal é impedir que seu portador contagie os demais. Se todos a usarem, pode fornecer portanto uma proteção coletiva.
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Máscaras de tecido: a alternativa
As máscaras de tecido, industriais ou confeccionadas em casa, se generalizaram devido à escassez das máscaras médicas no início da pandemia.

Mas são consideradas menos seguras contra as novas variantes. No entanto, “se todos usarem corretamente uma máscara caseira, a proteção ainda é muito apreciável”, diz o doutor Cheng, citando um estudo publicado na quarta-feira na revista científica Proceedings of the Royal Society A.

“O risco de infecção se reduz para 60% com uma máscara caseira básica”, garante Cheng.
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Como usar?
A máscara deve cobrir o nariz e a boca, incluindo o queixo. É preciso lavar as mãos antes de usar e colocá-la segurando as alças elásticas. Assim que colocada, não pode ser tocada, caso contrário é preciso lavar as mãos novamente.
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Duas valem mais que uma?
O presidente norte-americano Joe Biden apareceu em público com duas máscaras, levantando o debate. “Usar duas máscaras certamente torna o bloqueio mais eficaz”, segundo Cheng. “Mas antes de mais nada, deveríamos focar nas pessoas que não usam máscara ou que não usam direito”.
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Descartáveis?
As de tecido são reutilizáveis e podem ser lavadas várias vezes, em geral dez. No entanto, a Organização Mundial da Saúde recomenda “tirar imediatamente” as máscaras médicas de uso único. Alguns especialistas, no entanto, estimam que podem ser lavadas várias vezes antes de descartá-las, com o objetivo de limitar o gasto familiar e a poluição do plástico.
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Por: Letícia Moura, com informações da AFP

Fonte: O Dia