Entenda como é feita a vacinação contra a Covid-19 no Brasil

Atualizado em 27/1/2021

A vacinação contra a covid-19 no Brasil ainda esbarra na pequena quantidade de doses. Até agora, o País conta com 12,8 milhões de porções. Considerando que são necessárias duas aplicações, o montante permite imunizar 6,4 milhões de pessoas. Isso significa cerca de 8% do primeiro grupo considerado prioritário pelo governo federal, que conta com 77,2 milhões de pessoas.

Conforme o Plano Nacional de Vacinação, pertencem ao grupo prioritário as pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas vivendo em terras indígenas, trabalhadores de saúde, pessoas de 80 anos ou mais, pessoas de 75 a 79 anos, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e povos e comunidades tradicionais quilombolas.

Também estão pessoas de 70 a 74 anos, pessoas de 65 a 69 anos, pessoas de 60 a 64 anos, comorbidades, pessoas com deficiência permanente grave, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, trabalhadores da educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA) e trabalhadores da educação do Ensino Superior.

Além disso, as pessoas das Forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros, trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário, trabalhadores de transporte aéreo, trabalhadores de transporte aquaviário, caminhoneiros, trabalhadores portuários, trabalhadores industriais.
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Mais vacinas

O Instituto Butantan aguarda ainda a liberação do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) chinês, que está previsto para chegar no dia 3 de fevereiro, para a produção de mais 8,6 milhões de doses da Coronavac.

No mundo, a estimativa é que mais de 68 milhões de doses já foram aplicadas. A maior parte nos Estados Unidos, com 22,7 milhões de doses administradas. No Brasil, apesar de termos 12,8 milhões de doses disponíveis, apenas cerca de 700 mil pessoas já receberam a primeira dose da imunização.

Para atingir o chamado efeito rebanho (que a proteção coletiva da vacina impede a circulação ampla do vírus), especialistas acreditam que é necessário vacinar cerca de 70% da população. Por esse cálculo e a grosso modo, considerando que a população brasileira é de 211,8 milhões de habitantes, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o País precisaria imunizar 148,2 milhões de pessoas no País.

Como é prevista a aplicação de duas doses por pessoa, seriam necessárias 296,4 milhões de doses para o Brasil ter a sua população protegida contra o novo coronavírus.

É uma corrida contra o tempo. Enquanto a imunização em massa não é possível, o País contabiliza dia após dia aumento no número de vítimas. Para se ter uma ideia, o Brasil também registrou no ano passado recorde no número de mortos, que subiu, em 2020, mais de 8% na comparação 2019. A média anual de aumento registrada nos 21 anos anteriores era bem menor: 1,9%.

Em São Paulo, essa expansão foi de 17%, enquanto no Rio chegou a 19%. Desde o início da série histórica dessas estatísticas, em 1999, os aumentos de óbitos no ano passado foram os maiores já registrados nos cartórios brasileiros. A pandemia de covid-19 é a melhor hipótese para explicá-los.

Segundo dados do Portal da Transparência, plataforma administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), os óbitos registrados em todos os cartórios do País em 2020 foram 1,44 milhão. Esse número foi 8,3% maior do que o do ano anterior, quando chegou a 1,26 milhão.
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Sem seringas e agulhas

Além da falta da vacina, o governo brasileiro ainda tem dificuldades em adquirir seringas e agulhas. No fim do mês passado, o Ministério da Saúde conseguiu comprar apenas 3% do total das 331 milhões de unidades previstas no pregão.

Diante deste cenário, a União requisitou a uma empresa produtora as seringas e agulhas, que já tinham sido adquiridas pelo governo de São Paulo. A disputa foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal) e o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a requisição das unidades pela União.

Para tentar driblar o problema, o governo federal decidiu zerar o imposto de importação destes itens e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu ao da Economia, Paulo Guedes, que suspenda a exportação de agulhas e seringas.

Estados e municípios afirmam que têm estoque desses itens para dar o pontapé inicial na vacinação contra a covid. No entanto, alertam que precisam da reposição o mais rápido possível ou faltarão agulhas e seringas para a aplicação de outras vacinas e injeções. O Estado de São Paulo diz ter cerca de 70 milhões de unidades para a imunização.

Após o fracasso na tentativa de compras dos itens, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o Ministério da Saúde suspendeu a compra até que os preços voltem à normalidade. Fabricantes alegaram que os preços apresentados pelo governo estão totalmente fora da realidade.
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Doses de vacinas no Brasil

Coronavac – 6 milhões de doses importadas da China

Coronavac – 4,8 milhões de doses produzidas pelo Butantan

Oxford – 2 milhões de doses importadas da Índia pela Fiocruz

Coronavac – 6,8 milhões de doses que serão produzidas pelo Butantan com o IFA chinês previsto para chegar no dia 3 de fevereiro
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Da redação com Estadão Conteúdo
Fonte: IstoÉ Dinheiro/Terra