UFPA produz cartilhas em línguas indígenas para orientar povos nativos no combate ao coronavírus

Atualizado em 2/4/2020

Com o intuito de orientar as comunidades indígenas sobre o novo coronavírus, considerando o contexto desses povos, um grupo de estudantes indígenas com dois professores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Jackson Pinheiro e Anderson Herculano, criaram uma cartilha informativa e traduziram para diferentes línguas dos povos nativos. A cartilha possibilita uma explicação sobre a Covid-19 de forma clara e sem termos técnicos para que os indígenas compreendam e protejam-se de forma adequada.

A ideia de desenvolver o produto foi uma iniciativa de estudantes indígenas que buscavam uma forma de orientar as pessoas de suas comunidades e aldeias, que ainda têm dificuldades para falar e compreender o português, para que tivessem acesso a informações de maneira mais apropriada. Dessa forma, a cartilha em português, formatada para atender aos estudantes indígenas da UFPA, também foi traduzida para as línguas Kayapó, Wai Wai e Karipuna, para que pudesse alcançar o maior número de indígenas e aldeias possíveis.

“Os indígenas gostaram da cartilha que desenvolvemos anteriormente em linguagem paraense e entraram em contato conosco para criarmos uma voltada para eles. É importante levar informação sobre o coronavírus, sem o excesso de linguagem acadêmica que dificulta o acesso a informações que podem ajudar a se proteger e sobreviver. Dessa forma, a UFPA faz a sua função social para ajudar as sociedades indígenas nesse momento em que estamos passando”, afirmou o professor Jackson Pinheiro, um dos organizadores da cartilha.

De acordo com Eliene Rodrigues, estudante indígena de etnia Baré, a cartilha é importante por proporcionar que as informações cheguem e sejam compartilhadas nas comunidades indígenas. Segundo ela, a participação ativa de estudantes indígenas na produção da cartilha possibilitou torná-la mais compreensível e eficaz para a orientação do seu publico-alvo.

“Tentamos organizar uma cartilha que pudesse ser simples. Que um técnico de enfermagem conseguisse ler para as pessoas, que um agente indígena de saúde pudesse ter acesso e saber colocar para as comunidades de uma forma que tivesse o entendimento concreto de o que é essa doença e as consequências que pode trazer para nós enquanto povos indígenas”, explicou Eliene Rodrigues.

Sobre a cartilha – A organização da cartilha foi uma parceria entre o Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFPA) e a Associação dos Povos Indígenas da UFPA. Toda a construção do produto foi feita virtualmente, tendo como base uma cartilha produzida anteriormente pelos dois professores e pelas estudantes Amanda Pinheiro e Luana Carvalho, do Instituto de Ciências Biológicas

No conteúdo da cartilha, é explicado, de forma ilustrada e com textos de fácil entendimento, questões como: o que é o corona vírus, quais as vias de transmissão, quais os grupos de risco, sintomas, formas de afastamento (isolamento social, quarentena, distanciamento social) e seus conceitos. Também esclarece a forma de higiene e quais os locais e as equipes oficiais do governo que o indígena deve procurar em caso de auxílio médico, suspeita ou constatação da covid-19.

“A distribuição e o compartilhamento estão ocorrendo de forma eletrônica, por meio de PDF, para as comunidades indígenas. As informações sobre o coronavírus foram obtidas a partir de órgãos oficiais governamentais. E, se tratando do contexto indígena, as informações e orientações para organizar o produto foram coletadas com os próprios estudantes indígenas da UFPA”, pontuou o professor Jackson Pinheiro.

De acordo com o professor Jackson, os estudantes que desejarem a tradução da Cartilha para suas línguas de origem podem solicitar por meio do e-mail jackson@ufpa.br. Segundo ele, posteriormente, o intuito é também produzir outras cartilhas que possuam temáticas de interesse da sociedade, tanto as indígenas quanto as não indígenas.

Fonte: Portal da Universidade Federal do Pará (Ufpa)