Não há evidências de que a vitamina D atue na prevenção contra a Covid-19; uso indiscriminado traz riscos

Atualizado em 24/6/2020

Ainda não há evidências científicas suficientes que possam garantir ou afastar totalmente o papel da vitamina D na imunidade e no combate ao coronavírus. Entretanto, o consumo deste suplemento sem acompanhamento médico pode ser prejudicial.

A recomendação para uso de suplemento de vitamina D é feita apenas para pacientes com deficiência desta substância, após consulta e avaliação médica.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) disseram, ainda em abril, que não havia nenhuma indicação aprovada para prescrição de suplementação de vitamina D para a Covid-19.
As entidades alertaram para os riscos do consumo indiscriminado desta substância, sem qualquer acompanhamento profissional. Segundo o comunicado, o excesso de vitamina D sintética pode causar:

  • aumento da reabsorção óssea
  • risco de quedas e fraturas
  • hipercalcemia (níveis altos de cálcio no sangue)
  • hipercalciúria (excesso de cálcio na urina)
  • insuficiência renal
  • crises convulsivas
  • morte

A produção de vitamina D pelo corpo, de forma natural, é ativada a partir da exposição ao sol. O consumo de sua versão sintética é apenas prescrita para pacientes com deficiência neste mecanismo do corpo.

A vitamina D, ao contrário de outras vitaminas – como a vitamina C –, não é eliminada pelo corpo em caso de consumo exagerado. Por ser lipossolúvel, acaba se acumulando no organismo e não deve ser consumidas sem recomendação médica.

Pesquisas recentes

No mês passado, uma pesquisa publicada pela revista “BMJ Nutrition, Prevention & Health” indica que tomar altas doses de suplementos de vitamina D não ajuda na prevenção ou tratamento da Covid-19. O artigo é assinado por pesquisadores dos EUA, Reino Unido e União Europeia e indicou que não há provas científicas suficientes de que haja benefícios para evitar a infecção pelo patógeno.
Por outro lado, um outro estudo ainda em pré-print – que aguarda a publicação após a avaliação da comunidade científica – indica que a substância é uma “candidata promissora” para a profilaxia. O artigo de pesquisadores chineses ainda é preliminar e mostra bons resultados nos testes in vitro.

O que diz a OMS

O G1 perguntou à Organização Mundial da Saúde (OMS) qual é a recomendação da agência de saúde da ONU para o uso profilático de vitaminas na proteção contra a Covid-19. Em nota, a instituição citou uma fala do diretor-executivo do programa de emergências, Mike Ryan, no início de junho, que citava não ter evidências específicas sobre o uso de vitaminas contra o coronavírus.

“Sobre a questão das vitaminas, não acredito que exista evidência específica de que as vitaminas previnam ou possam tratar a Covid-19, disse Ryan em entrevista coletiva. “No entanto, existem muitas coisas que podemos fazer para manter nosso corpo saudável e permitir que lidemos com qualquer doença infecciosa de maneira mais eficaz, de modo que uma dieta saudável e, às vezes, suplementar essas dietas com vitaminas apropriadas sejam uma maneira muito positiva de se manter saudável.”

Prevenção contra a Covid-19

Para evitar se contaminar ou transmitir o vírus, as formas mais importantes de prevenção ainda são distanciamento social e medidas de higiene como lavar bem as mãos com água e sabão ou com álcool 70%.

Também é necessário tomar cuidado para não tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas. Evitar aglomerações e usar máscara em público também são formas de se prevenir e para evitar espalhar o vírus, cobrir a boca ao tossir ou espirrar com a parte interna do cotovelo.

Fonte: G1/Globo