Manual da Covid-19 – Achados clínicos e diagnóstico

Atualizado em 3/7/2020

Anamnese e exame físico na suspeita de covid-19:

A maioria dos indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2 não apresentam sintomas e correspondem a aproximadamente 80% dos indivíduos infectados. Os outros 20% se dividem em casos leves, oligossintomáticos, e casos de maior gravidade.

Os primeiros sintomas incluem anosmia, odinofagia, tosse e congestão nasal. Um sintoma que marca gravidade da doença é a dispneia (“falta de ar”, dificuldade para respirar).

No exame físico, pode-se observar alguns pontos para determinar a gravidade da doença.

Alterações na ausculta respiratória como roncos e crepitações podem estar presentes, bem como outros sinais de gravidade em quadros respiratórios agudos, como batimento de asa de nariz, tiragem intercostal, saturação de oxigênio menor que 95%, dispneia e cianose.

Exames radiológicos:

A radiografia de tórax não tem sido recomendada como diagnóstico de padrão ouro diante da suspeita de COVID-19, visto que se caracteriza por apresentar uma limitada sensibilidade na detecção de opacidades em vidro fosco, um dos principais achados indicadores de lesão por tal agente viral e de outros achados pulmonares sugestivos da infecção. (ARAUJO, 2020)

Mesmo que o uso da TC de tórax como mecanismo de triagem não esteja ainda estabelecido pelos estudos recentes, estes evidenciam um papel importante da TC na detecção e gerenciamento precoces das manifestações pulmonares da COVID-19, com alta sensibilidade, embora com especificidade ainda limitada. (ARAUJO, 2020)

Os estudos até então publicados têm apresentado achados tomográficos semelhantes, em que se evidenciam alterações alveolares, como opacidades em vidro fosco, consolidações focais e opacidades mistas (incluindo opacidades com halo invertido), geralmente com acometimento bilateral e multifocal, distribuição periférica e predomínio nos campos pulmonares médios, inferiores e posteriores.

Foi também descrito espessamento septal e alterações reticulares sobrepostas às alterações alveolares, o que refletem o acometimento intersticial concomitante. Alterações cicatriciais pulmonares incipientes, como estrias fibróticas e derrame pleural também foram mais frequentes na fase avançada da doença em comparação às fases iniciais. (ARAUJO, 2020)

A dissociação entre achados clínicos, laboratoriais e de imagem tem sido demonstrada em alguns casos. Estima-se que até 50% dos pacientes infectados por COVID-19 possam apresentar TC de tórax normal nos dois primeiros dias após o aparecimento dos sintomas. (ARAUJO, 2020) A TC de tórax não deve ser usada na triagem de COVID-19 em pacientes assintomáticos, devendo ser considerada em pacientes hospitalizados, sintomáticos ou em situações clínicas específicas.

Até o presente momento, recomenda-se que o diagnóstico final da doença seja confirmado por teste positivo de RT-PCR ou sequenciamento genético. (ARAUJO, 2020)

Testes diagnósticos

Os testes diagnósticos para o diagnóstico de COVID-19 incluem: • RT-PCR (Polymerase Chain Reaction) É o teste utilizado para diagnóstico em fases iniciais da doença.

O teste em questão consiste na procura do material genético do vírus em uma amostra de secreções colhida com um swab. Esse teste apresenta maior sensibilidade na fase aguda da doença que compreende, principalmente, a primeira semana de doença.

A primeira ação do RT-PCR é o uso da enzima transcriptase reversa para transformar o RNA do vírus em DNA complementar. Depois de ter sido transformado, são inseridos dois primers, que é uma fita simples de DNA, para auxiliar a amplificação do material genético em 100 milhões de vezes.

Com uma sonda complementar ao vírus procurado é possível observar se o conteúdo molecular é correspondente ao do agente infeccioso que os pesquisadores estão investigando.

Sorologia IgM e IgG

Esses testes consistem na procura de anticorpos contra o vírus no sangue do paciente. A presença de anticorpos IgM marca infecção recente pelo vírus.

Já a presença de IgG marca que o indivíduo já teve contato com o vírus, marcando as fases tardias da doença até o final da vida em alguns casos, se houver cura.

O teste deve ser solicitado somente em pacientes que apresentarem PCR negativos para o coronavírus e após o sétimo dia de sintomas, quando o teste passa a ter uma sensibilidade maior.

O exame é realizado pela metodologia de Quimiluminescência.

Fonte: Sanar Med